03/06/2009

Sobre o desenvolvimento da pesquisa, estilo e conceito da direção de arte

(Texto para o pré-projeto do tcc sobre o desenvolvimento da pesquisa, estilo e conceito da direção de arte. Coloquei só algumas referências porque inserir imagens aqui ainda é um problema..)

Quando escolhemos realizar como projeto de conclusão de curso uma ficção em animação, uma de nossas primeiras preocupações foi acerca da direção de arte e como esta nos ajudaria a criar todo o universo da história que seria contada. Munidos de informações, teorias e experiências previamente adquiridas, buscamos diferentes métodos, técnicas e possibilidades, explorando o desconhecido e adquirindo diversos conhecimentos novos, fundamentais para que estabelecêssemos o conceito da arte que guiaria nosso argumento.

Para chegarmos ao conceito da direção de arte deste projeto, passamos por diferentes formas de pesquisa e experimentação. A técnica de animação que será utilizada – mistura entre animação tradicional 2d e stop motion – foi escolhida à partir da comparação de diferentes testes realizados, mostrando-se a mais notável e capaz de maior exploração estética, uma vez que integra fisicamente a animação 2d dos personagens a um cenário, através da utilização de placas desenhadas.

Imagem do teste exemplificando a técnica: personagem recortado e inserido no cenário físico

Imagem do teste exemplificando a técnica: personagem recortado e inserido no cenário físico

Uma vez com a técnica definida passamos a pensar nos diferentes elementos que comporiam a direção de arte do filme, e a definição da paleta de cores foi uma das primeiras decisões tomadas. Pensando em facilitar a produção e com base em referências como Persepolis e Corpse Bride, resolvemos trabalhar com falso preto e branco. A predominância nos personagens e no cenário da cozinha é de tons de cinza, enquanto o lado externo apresenta ligeiramente mais cor, tendendo levemente para o azul. Esta diferença de tonalidades entre interior e exterior será minimizada através de dias chuvosos, sendo somente sentida quando o tempo abrir, na cena em que o liquidificador consegue voar.

Referência utilizando paleta de cores semelhante à proposta

Referência utilizando paleta de cores semelhante à proposta

Por se tratar de algo contemporâneo, podemos identificar o ambiente da história com qualquer grande metrópole atual. Dessa forma, criar um meio diferente de mostrar essa universalidade tornou-se fundamental. Destoante da movimentação da cidade, precisávamos de características na cozinha que remetessem a um ambiente antigo, “retrô”, modernizando-se através da presença de elementos atuais misturados aos demais. Partindo deste conceito, o estilo moderno das décadas de 1950 e 1960 tornou-se nossa principal referência, com a mistura entre seus ângulos acentuados, linhas retas e formas arredondadas.

cozinhalaranja

Referência de cozinhas das décadas de 1950 e 1960

Referência de cozinhas das décadas de 1950 e 1960

Referência de cozinhas das décadas de 1950 e 1960

A pesquisa e exploração do visual deste período trouxeram características importantes não somente para a concepção da cozinha, mas para o projeto como um todo. O estilo simples e a animação limitada, desenvolvida pelos estúdios UPA (United Productions of America) entre as décadas de 1940 e 1960, inspiraram personagens simplificados e contínuos – no caso da velhinha menos realista e mais caricata – que além de combinar melhor com o estilo dos cenários facilitarão o processo de produção.

Referência do estilo moderno das décadas de 1950 e 1960

Referência do estilo moderno das décadas de 1950 e 1960

Referências de personagens da UPA

Referências de personagens da UPA

Para adequar essas características datadas à modernidade, procuramos referências atuais que trouxessem adaptações de características do estilo dessa época. Desta maneira chegamos, entre tantos artistas pesquisados, a Lou Romano, cujos trabalhos destacamos principalmente os cenários de Dexter’s Laboratory, Powerpuff Girls, e a arte de The Incredibles. Sua forma de misturar linhas curvas e retas assimétricas, trazendo um toque antigo ao contemporâneo, ajudou a formularmos o traço que permearia todo o projeto.

Referência do estilo utilizado por Lou Romano em seus trabalhos

Referência do estilo utilizado por Lou Romano em seus trabalhos

Desenho de estudo buscando o traço da cidade

Desenho de estudo buscando o traço da cidade

A pesquisa para desenvolvimento dos personagens aconteceu paralelamente à busca pelo estilo do projeto, ajudando em sua construção e trazendo muitos elementos que acabaram sendo incorporados a este.

O principal conceito utilizado na criação do liquidificador foi unir simplicidade e singularidade, criando um personagem que fosse fácil e rápido de desenhar, mas ao mesmo tempo trouxesse características específicas; que pudesse ser reconhecido com facilidade, mas não estivesse por toda parte. A partir desta idéia passamos a buscar um modelo de liquidificador inspirado nas referências encontradas, mas dono de uma mobilidade aumentada; com ares de antigo, mas com grande vitalidade; cujas expressões fossem capazes de conquistar o espectador, mas sem parecer assim frágil demais; diferente do mundo que habita, mas não destoante.

Para alcançar esses objetivos adotamos formatos mais arredondados, simples e capazes de propiciar maiores movimentações e variações de expressões. Sua base, inspirada em modelos criados na década de 1980, faz com que passe por ultrapassado, porém não tão antigo assim. Para motivá-lo a voar, o liquidificador novo traz curvas opostas, linhas mais retas e ângulos acentuados, o que o torna mais parecido com a cozinha, apesar de sua modernidade.

Desenhos de estudo buscando definição do liquidificador

Desenhos de estudo buscando definição do liquidificador

Desenhos de estudo buscando definição do liquidificador

Desenhos de estudo buscando definição do liquidificador

A velhinha foi inspirada em personagens de senhoras, em sua grande maioria gordinhas e com formatos exagerados, pouco proporcionais. Por aparecer pouco, seu nível de detalhamento é ligeiramente maior, apesar da simplicidade do traço e de expressões também estar presente – e concentradas, quando no rosto, na movimentação de seus óculos. Sua proximidade física com o liquidificador dá-se por conta dos volumes mais redondos e seu rosto foi baseado no formato de uma torta – sua receita favorita.

Desenhos de estudo buscando definição da velhinha

Desenhos de estudo buscando definição da velhinha

Desenhos de estudo buscando definição da velhinha

Desenhos de estudo buscando definição da velhinha

Uma vez diante desses conceitos estabelecidos e desenhos planejados, encontramo-nos prontos para começar a “tridimensionalizar” os cenários, aplicando aquilo que até agora somente conceitualizamos, inclusive ao animar os personagens. A pesquisa estará também presente nessa nova etapa, porém de forma mais pontual, visando sempre seguir e aperfeiçoar aquilo que determinamos previamente.

29/04/2009

“You are a toy! You can’t fly!”

 

INT. UPSTAIRS HALLWAY – CONTINUOUS

Buzz walks dejectedly out of the den and down the hallway.

As he passes the top of the stairwell he pauses to look up
through the railing at…

A SMALL WINDOW

It is open, revealing the blue sky beyond.  A bird flies past.

The taunting voice of Woody echoes in his head.

                         WOODY (V.O.)
            You are a toy!  You can’t fly!

Buzz bows his head, defeated.

BEAT

Slowly Buzz raises his head, determination in his eyes.  He
slams the offending wrist communicator shut, as if to deny
its message of “Made in Taiwan.”

Buzz climbs up the railing to the banister.  He pops open
his wings, and aims himself towards the window above.

                         BUZZ
            To Infinity and Beyond!

Buzz leaps off the banister…

and falls.

In SLOW MOTION Buzz watches his square of blue sky pull
farther away from him as he plummets to the floor below.

27/04/2009

Designing a Movie for Sound

(primeiro post meu.. será que eu sei mexer?? :})

Li um texto bem interessante do Randy Thom sobre Sound Design.

Ele relaciona todas as outras áreas de realização com o sound design.

Recomendo a leitura a todos.. todos, mesmo!

Fica a dica! ;)

http://www.filmsound.org/articles/designing_for_sound.htm

24/04/2009

testes e mais testes…

Desde que formamos nossa equipe e discutimos o formato do projeto, a técnica de animação que usaríamos ainda era incerta. Acreditávamos numa mistura entre 2d tradicional e stop motion, agradando assim a todos e trazendo um visual diferente para o curta. Como essa mistura se daria, no entanto, não sabiamos. E por esta razão passamos o mês de março testando diferentes técnicas e formas de executá-las.

Nosso primeiro teste foi inteiramente em stop motion (naturalmente eliminado por se tratar de uma técnica só). O cenário, utilizado em praticamente todos os outros testes, foi construído às pressas basicamente de papelão e guache. Os formatos, detalhes e props (muitos incluídos no decorrer do mês) serviram principalmente para testar como diferentes elementos e texturas reagiam no vídeo, funcionando pouco como referência do visual. Para esse teste usamos um liquidificador também construído (com papelão, copinhos plásticos e vários papéis diferentes), cujo movimento resumia-se nos encaixes entre base, copo e tampa – o suficiente para me divertir bastante enquanto animava.

Nosso segundo teste envolveu liquidificadores animados em 2d, recortados e transformados em plaquinhas de papel, animadas sobre o cenário básico através de stop motion. Para as plaquinhas usamos papel cartão e sulfite (dos desenhos): menos material, mas trabalho equivalente na hora de desenhar, colar e recortar tudo. A mistura de técnicas ficou curiosa e o resultado agradou bastante.

O terceiro teste foi inteiramente 2d (também naturalmente excluído por esta razão). Curiosamente este foi o que encontrou mais problemas, uma vez que acabamos dependendo de scanners não preparados, programas não instalados, ferramentas precárias e resoluções ruins.

Nosso quarto teste misturou a técnica das plaquinhas com uma boneca de stop motion humana. A história da construção da boneca ficará para outro momento, uma vez que envolveu diferentes processos, problemas, e acabou sendo extremamente gratificante. E aproveitando cenário, personagem e diária de estúdio, acabamos no quinto – e último – teste, no qual o liquidificador – animado em 2d -  foi incluido na cena através do computador.

Uma vez passando pelo processo de cada um dos testes e tendo-os prontos, reunímos a equipe e conversamos sobre qual técnica deveria ser escolhida. Levantando prós e contras a partir de critérios como produtividade, diversão, criatividade e resultado final, passamos a duas opções: plaquinhas (com ou sem o boneco) ou 2d tradicional + boneco stop motion.

Uma semana e outra reunião mais tarde acabamos decidindo pela técnica das plaquinhas com cenário físico (e sem bonecos): a técnica mais inovadora, capaz de divertir a todos e com visual mais interessante. A quantidade de trabalho gerada por ela também não é pequena, mas isso fica para outra hora…

21/03/2009

finalmente!

Em janeiro deste ano, quando começamos a pensar concretamente em nosso projeto de TCC, surgiu a idéia de fazer um blog que acompanhasse todo o processo de criação e desenvolvimento do mesmo. Desde então muitas coisas começaram a ganhar forma, mas até ontem o blog não era uma delas… Hoje (finalmente) é. Resolvi deixar de lado os problemas – como a falta de um nome para o projeto ou tempo para atualizações regulares – e criar essa versão provisória do blog, que será recheada narrativamente de fatos, apontamentos, discussões e mídias, quando possível.

Por este ser nosso primeiro post, acho válido ser bem didática e explicativa e contar como tudo (ou pelo menos o projeto) começou. Logo virão mais historinhas, conforme o tempo permita ou outras pessoas comecem a escrever.

Éramos dois grupos distintos, com idéias distintas e um propósito comum: produzir uma animação como TCC. Um grupo tinha uma história e a vontade de trabalhar com 2D tradicional, enquanto o outro tinha idéias megalomaníacas grandiosas envolvendo stop motion, um programa de rádio e um site. Diante do número restrito de projetos a serem produzidos, abrimos mão de particularidades dos projetos iniciais e nos unimos em um só grupo, o que acabou sendo bastante produtivo. Resolvemos então utilizar as duas técnicas de animação e apostar na história que agradou a todos, sobre um simpático liquidificador que deseja voar…

Desde então temos trabalhado no roteiro, buscado referências, discutido conceitos, experimentado técnicas. E o trabalho está apenas começando…